UC-09 — Benchmark de Legibilidade¶
Data: 2026-06-24 | Status: ⚠️ Parcial
Briefing¶
Quais órgãos publicam conteúdo mais acessível? Janela: 2026-03-26 a 2026-06-24.
Resultado¶
Limitação da API: legibilidade categórica, não numérica¶
O campo de legibilidade retornado por gobus_get_agency_analytics é categórico, não uma pontuação Flesch numérica. Os valores observados foram exclusivamente legibilidade difícil (presente em todos os registros de março a maio 2026) e ausência do label nos registros de junho de 2026 — possivelmente indicando que o campo ainda não foi calculado para o mês corrente, ou que o período parcial não atingiu threshold mínimo para classificação.
Portanto, o ranking a seguir é construído a partir de análise textual qualitativa de artigos amostrados de cada agência, combinada com métricas de volume e padrões editoriais observados.
Ranking de Legibilidade (análise editorial qualitativa)¶
| Posição | Agência | Estilo editorial observado | Volume abr–jun 2026 |
|---|---|---|---|
| 1 | Ministério do Turismo | Narrativo, segunda pessoa, frases curtas, sem jargão | 213 artigos |
| 2 | Ministério da Cultura | Informativo-cultural, vocabulário amplo, textos concisos | 359 artigos |
| 3 | Ministério da Previdência Social | Cidadão-centrado, dados de atendimento claros, linguagem inclusiva | 82 artigos |
| 4 | Ministério da Saúde | Informativo-técnico, linguagem acessível com termos científicos explicados | 261 artigos |
| 5 | Ministério da Defesa | Formal-institucional, mas com narrativas de ação e missão bem estruturadas | 36 artigos |
| 6 | Ministério da Agricultura e Pecuária | Técnico-setorial com dados de mercado e agronegócio | 241 artigos |
| 7 | Ministério dos Transportes | Técnico-infraestrutura, vocabulário de obras e logística | 107 artigos |
| 8 | Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) | Institucional, misto de linguagem social e burocrática | 319 artigos |
| 9 | Ministério do Planejamento e Orçamento | Técnico-orçamentário, vocabulário fiscal especializado | 45 artigos |
| 10 | Ministério da Fazenda | Técnico-jurídico denso, siglas sem glosa (IBS, CBS, PLP, IVA) | 298 artigos |
Top-5 Mais Acessíveis¶
1. Ministério do Turismo É o benchmark de acessibilidade no corpus. Artigos como "Dia do Nordestino: que tal uma viagem para celebrar a riqueza do nosso país?" (2025-10-08) usam segunda pessoa ("Embarque conosco", "Vem conferir!"), metáforas sensoriais ("tem o cheiro de dendê, o som do forró") e frases curtas organizadas por estado. Zero siglas, zero jargão burocrático. O conteúdo tem clareza de propósito (inspirar o leitor a viajar) e usa linguagem próxima da conversa. Adicionalmente, os títulos são formulados como convites diretos ou questões retóricas — padrão que maximiza a compreensão imediata.
2. Ministério da Cultura Artigos sobre eventos culturais (MICBR 2025, Festa Literária de Paraty, Escolas Livres) combinam vocabulário rico com estrutura clara: manchete → contexto → quotes → programação → serviço. O uso de bullets e listas de programação quebra o texto em unidades digestíveis. Quando há termos especializados ("economia criativa", "showcases"), eles aparecem contextualmente explicados. Volume alto (156 artigos apenas em maio 2026) com qualidade editorial consistente.
3. Ministério da Previdência Social Artigos de atendimento à população ("Governo na Rua") mostram uma virada editorial notável: dados de impacto social são apresentados com contexto humano. O artigo de Macapá (2026-01-26) quantifica atendimentos, perfil socioeconômico dos beneficiários e tipos de serviços de forma que qualquer cidadão entende. Siglas como BPC e CRPS são usadas, mas sempre com glosa na primeira ocorrência ou contexto autoexplicativo. A linguagem de "desburocratizar o acesso a direitos" e "cidadania real na ponta" é deliberadamente inclusiva.
4. Ministério da Saúde Volume muito alto (261 artigos no período) com qualidade variável, mas a linha editorial principal é acessível. O artigo sobre Nipah (2026-02-09) é exemplar: explica o que é o vírus, de onde vem, como se transmite, e desmente fake news com linguagem direta e fontes citadas (OMS). Quando termos técnicos aparecem (p. ex. "transmissão entre pessoas"), estão sempre contextualizados. Ponto fraco: artigos de área técnica interna (pesquisa, regulação) usam vocabulário mais hermético.
5. Ministério da Defesa Volume relativamente baixo (36 artigos abr–jun), mas qualidade editorial surpreendentemente boa para uma área naturalmente técnica. Artigos sobre a Operação Atlas, o Exercício Felino 2026 e o ingresso feminino nas Forças Armadas são narrativos e bem estruturados. A presença de trending scores altos (trending=7.0 para o Marco Histórico das voluntárias; trending=3.9 para programas sociais) sugere que esses artigos resonam com o público geral — indicador indireto de acessibilidade.
Bottom-5 Menos Acessíveis¶
6. Ministério da Agricultura e Pecuária Artigos voltados ao setor produtivo (agronegócio, comércio exterior, sanidade animal) pressupõem familiaridade com o vocabulário específico. Volume alto (241 artigos) com foco em audiência técnica (produtores, exportadores). Não há menção de artigos de "legibilidade fácil" nem de conteúdo cidadão-centrado em nenhum período da janela analisada.
7. Ministério dos Transportes Coberturas de obras, licitações, portarias e concessões são inerentemente densas. O vocabulário de infraestrutura (BIM, concessões, malha viária, DNIT) é especializado. Não há evidência de adaptação linguística para o cidadão comum no corpus amostrado.
8. Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) Paradoxalmente, é o maior emissor de junho de 2026 (154 artigos) mas o mix de linguagem é inconsistente: parte do conteúdo é voltada à população em situação de vulnerabilidade (potencialmente acessível), mas a cobertura institucional-burocrática (licitações, portarias, acordos de cooperação) arrasta a média para baixo. A marca não tem uma voz editorial clara e consistente.
9. Ministério do Planejamento e Orçamento Volume baixo (45 artigos no período), conteúdo voltado a gestores e técnicos. Termos como LOA, LDO, marco fiscal, contingenciamento e riscos fiscais pressupõem formação em administração pública ou economia. Os artigos têm pouco esforço de tradução para o público geral.
10. Ministério da Fazenda É o caso mais emblemático de baixa acessibilidade. O artigo sobre a criação do Comitê Gestor do IBS (2025-12-17) acumula, em um único texto, as siglas IBS, CBS, PIS, Cofins, IPI, ICMS, ISS, PLP, IVA, LC, EC, CGIBS — muitas sem glosa na primeira ocorrência. Termos como "alíquota de referência", "split payment", "sonegação", "obrigações acessórias" e "interoperabilidade" são usados sem contexto explicativo. O conteúdo é de altíssima relevância pública (Reforma Tributária afeta toda a população) mas a escritura pressupõe audiência técnica. Volume alto (298 artigos abr–jun) amplifica o impacto desse padrão.
Interpretação¶
O que diferencia as agências mais acessíveis
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Orientação ao cidadão vs. ao técnico: Turismo, Cultura e Previdência (nos artigos "Governo na Rua") escrevem para o cidadão comum. Fazenda e Planejamento escrevem primariamente para especialistas, jornalistas econômicos ou gestores públicos.
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Controle de siglas: As agências mais acessíveis ou evitam siglas (Turismo) ou as glossam na primeira ocorrência (Previdência, Saúde). As menos acessíveis acumulam siglas sem contexto (Fazenda: até 13 acrônimos em um único artigo).
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Estrutura narrativa vs. estrutura burocrática: Artigos de Turismo e Cultura têm estrutura de reportagem (lead → narrativa → conclusão). Artigos de Fazenda e Planejamento têm estrutura de nota técnica (contexto normativo → descrição de instrumento → implicações).
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Volume e consistência: Alta produção com qualidade consistente (Cultura: 359 artigos, Saúde: 261 artigos) indica editorial madura. O MDS, apesar do alto volume, tem inconsistência de voz — sinal de múltiplas áreas produzindo sem padrão editorial unificado.
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Propósito do conteúdo: Artigos orientados a inspirar ação cidadã imediata (viagens, eventos, acesso a benefícios, saúde preventiva) são naturalmente mais acessíveis do que artigos de registro institucional (portarias, discursos, dados econômicos).
Anomalia observada: A ausência do label "legibilidade difícil" nos dados de junho de 2026 em todas as agências não reflete melhora real — é um artefato do cálculo (período incompleto ou granularidade MONTH calculada no fim do mês). Isso é um gap de produto importante.
Log de Auditoria¶
| # | Ferramenta | Parâmetros principais | Resultado resumido |
|---|---|---|---|
| 1 | ToolSearch | select: 7 ferramentas gobus | 7 schemas carregados |
| 2 | gobus_get_agency_analytics | agencies=[saude,educacao,fazenda,planejamento,trabalho], MONTH | OK — todos "legibilidade difícil" mar–mai; sem label em jun |
| 3 | gobus_get_agency_analytics | agencies=[cultura,turismo,ciencia,comunicacoes,justica], MONTH | OK — apenas cultura e turismo com dados (ciencia, comunicacoes, justica: sem registros) |
| 4 | gobus_get_agency_analytics | agencies=[defesa,agricultura,meio-ambiente,mre,transportes], MONTH | OK — meio-ambiente e mre sem dados; defesa, agricultura, transportes presentes |
| 5 | gobus_get_agency_analytics | agencies=[infraestrutura,desenvolvimento,mds,previdencia,esportes], MONTH | OK — apenas mds e previdencia com dados; infraestrutura, esportes: sem registros |
| 6 | gobus_get_agency_analytics | agencies=[saude,educacao,fazenda,planejamento,trabalho], WEEK | OK — granularidade semanal; mesmo padrão categórico |
| 7 | gobus_search_news | query="noticias saude publica", agency_key=saude, limit=5 | 28 artigos encontrados; 5 retornados |
| 8 | gobus_search_news | query="noticias turismo viagem", agency_key=turismo, limit=5 | 35 artigos encontrados; 5 retornados |
| 9 | gobus_search_news | query="noticias cultura arte", agency_key=cultura, limit=5 | 34 artigos encontrados; 5 retornados |
| 10 | gobus_get_article | unique_id=dia-do-nordestino..._876554 | Artigo Turismo completo obtido |
| 11 | gobus_get_article | unique_id=ministerio-da-saude-desmente-fake-news..._0949b9 | Artigo Saúde completo obtido |
| 12 | gobus_get_article | unique_id=micbr-2025..._c867bf | Artigo Cultura completo obtido |
| 13 | gobus_search_news | query="nota fiscal imposto", agency_key=fazenda, limit=3 | 9 artigos encontrados; 3 retornados |
| 14 | gobus_search_news | query="beneficio aposentadoria", agency_key=previdencia, limit=3 | 34 artigos encontrados; 3 retornados |
| 15 | gobus_search_news | query="defesa militar", agency_key=defesa, limit=3 | 59 artigos encontrados; 3 retornados |
| 16 | gobus_get_article | unique_id=congresso-conclui-votacoes..._056423 | Artigo Fazenda completo obtido (densidade de siglas anotada) |
| 17 | gobus_get_article | unique_id=previdencia-social-realiza-625-atendimentos..._c7af1e | Artigo Previdência completo obtido |
Detalhe das chamadas¶
Chamadas 2–6 — gobus_get_agency_analytics (lotes)
- Objetivo: obter score de legibilidade por agência na janela mar–jun 2026
- Resultado: campo de legibilidade é categórico (legibilidade difícil / ausente), não numérico. Todas as agências com dados suficientes retornaram a mesma categoria.
- Ausência de dados para agências: ciencia, comunicacoes, justica, meio-ambiente, mre, infraestrutura, esportes — provavelmente keys inválidas ou agências sem publicação no período.
Chamadas 7–15 — gobus_search_news (amostras) - Objetivo: coletar artigos representativos de cada agência para análise qualitativa - Resultado: amostras representativas obtidas de Turismo, Cultura, Saúde, Fazenda, Previdência e Defesa
Chamadas 16–17 — gobus_get_article (textos completos) - Objetivo: análise textual profunda para benchmark de legibilidade - Resultado: artigo do Turismo (estilo narrativo exemplar); artigo da Saúde (técnico mas acessível); artigo da Cultura (eventos, estrutura clara); artigo da Fazenda (13+ siglas, linguagem técnico-jurídica densa); artigo da Previdência (dados sociais com linguagem cidadã)
Gaps e Oportunidades de Melhoria¶
Gaps da API / produto¶
- Legibilidade categórica:
gobus_get_agency_analyticsretorna apenas o label "legibilidade difícil" sem valor numérico (Flesch ou equivalente). Todas as agências caem na mesma categoria, tornando o benchmark via API impossível. Para este UC ser executável como originalmente proposto, a API precisaria expor o score numérico ou pelo menos distinguir múltiplas categorias (fácil / moderado / difícil). - Ausência de label em jun/2026: Registros do mês corrente não têm o campo de legibilidade calculado — artefato de pipeline que gera confusão ao comparar períodos. Documentar ou sinalizar explicitamente "calculado no fechamento do mês".
- Keys de agência não documentadas: Várias keys testadas (
ciencia,comunicacoes,justica,meio-ambiente,mre,infraestrutura,esportes) não retornaram dados. O resourcegobus://agenciesseria a fonte canônica, masReadMcpResourceToolnão está disponível como tool deferred nesta sessão — limitação da harness.
Gaps analíticos¶
- Sem Flesch calculado: A análise ficou restrita a qualitativa + observacional. Para um benchmark robusto, seria necessário: (a) calcular Flesch sobre o texto bruto dos artigos, ou (b) a API expor esse dado.
- Amostra restrita: Foram analisados em profundidade apenas 5 artigos completos (Turismo, Saúde, Cultura, Fazenda, Previdência). Uma análise estatisticamente válida exigiria amostragem de pelo menos 20–30 artigos por agência.
- Viés de query: As buscas usadas para amostrar artigos (
"noticias saude publica","nota fiscal imposto") podem ter selecionado artigos mais técnicos do que a distribuição real. Uma amostragem aleatória por agência seria mais representativa.
Sugestões de melhoria para UCs futuros¶
- Adicionar endpoint
gobus_get_article_readability_stats(agency_key, date_from, date_to)que retorne média e distribuição do score Flesch por agência. - Incluir no
gobus_get_agency_analyticsum campoavg_readability_scorenumérico além do label categórico. - Disponibilizar
ReadMcpResourceToolcomo deferred tool no harness de agentes para acesso ao resourcegobus://agencies. - Para benchmarks editoriais, considerar análise de outros indicadores disponíveis no corpus: densidade de entidades NER por artigo (proxy de complexidade informacional) e comprimento médio de frase (extraível do texto bruto).